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Cuidando dos negócios do Pai

Uma perspectiva sobre o serviço a Deus e aos homens


Por Walter da Mata

“O termo negócio provém do latim negotĭum, que é um vocábulo formado por nec e otium (“aquilo que não é lazer”). Trata-se da ocupação, da atividade ou do trabalho que se realiza com fins lucrativos.¹”


Jesus, no Evangelho de Lucas, se referiu às atividades junto às pessoas como o “negócio do Pai”, cujo lucro ou resultado esperado é resgatar a conexão do homem com Deus. Este era o negócio de Jesus: revelar o Pai. Todos seus atos descritos nos evangelhos tinham um objetivo: pessoas saindo do reino das trevas, da obscuridade, da escravidão do pecado e da dominação religiosa para uma conexão de amor com o Eterno.


Quando Jesus diz: “De que vale ao homem ganhar tudo que há no mundo e, no balancete final, perder a sua alma” (Mc 8.36, itálico meu), temos uma perspectiva de valor, de como administrar a vida e os negócios: não podemos tratar a nossa existência sem dar a ela o devido valor. Um dos papéis da igreja é justamente catalisar o valor do ser humano, conectar a pessoa, o eu, com o próprio Senhor da vida. Esse é o lucro maior do seu trabalho.


A igreja, acima de tudo, é um negócio do Pai


A igreja, corpo de Cristo, em qualquer lugar que se reúna, precisa encarnar a necessidade de gerir questões pertinentes à instituição civil que é, com obrigações junto a seus membros e ao Estado. Aqui, entra planejamento, controle de processos, organização de recursos humanos, materiais e financeiros, próprios de qualquer empreendimento. No entanto, ela jamais deve perder a visão de que, embora seja institucional, é acima de tudo um negócio do Pai.


No livro de Gênesis, temos o registro de um dos maiores administradores da Bíblia, José, filho de Jacó. Sua atuação no Egito é um “mestrado” em administração. Tudo o que ele punha a mão era bem-sucedido. Na condição de mordomo, fez prosperar a casa de Potifar, e o que mais me impressiona é percepção dele de que aquele negócio era, em primeira mão, um negócio de Deus; depois, um negócio do capitão da guarda. José tinha ciência do não era seu. Por isso, disse “não” à proposta tentadora.


Quando se nega a ir para a cama com a mulher do patrão, ele declara que ceder a tal procedimento era primeiro um pecado contra Deus e seu senhorio (Gn 39). Isso mostra que a pessoa temente a Deus enxerga suas atividades e deveres como um negócio que é do Pai, algo que deve ser realizado com zelo. José viveu essa perspectiva em meio aos afazeres da casa de Potifar, na gestão do cárcere real e como administrador geral do Egito. Por meio de seu exemplo, podemos aprender que, na igreja, não podemos nos prostituir, mas, sim, gerir bem a missão, os recursos e tudo o que envolve a administração da casa de Deus.


“Na igreja, não podemos nos prostituir, mas, sim, gerir bem a missão, os recursos e tudo o que envolve a administração da casa de Deus”

Prestação de contas


Prestação de contas é outro aspecto bíblico da administração. Tal prática aparece no livro de Esdras, quando, ainda na Pérsia, o homem de Deus recebe ouro, prata e bronze em grande quantidade para empregar na reconstrução do templo em Jerusalém. O que ele faz? Nomeia uma equipe de administradores, pesa o tesouro e anota a informação na frente deles, deixando claro que os valores eram ofertas consagradas ao Senhor — assim como cada um deles — e que deveriam prestar contas diante dos sacerdotes e levitas que estavam em Jerusalém.


Ao concluir a leitura desse episódio, temos um balancete digno de ser imitado: “Tudo foi contado conforme o número e o peso”. Chama minha atenção o seguinte versículo: “Vós e esses objetos são consagrados ao Senhor” (Ed 8.28). Você, leitor, consegue perceber a seriedade e a realidade que tal declaração evoca?


O perigo de transformar a igreja em um “negócio pessoal”


O grande desafio é não transformar “os negócios do Pai” em “negócio de pessoal”. Foi isso que Jesus disse ao purificar o templo: “não façais da casa de meu Pai casa de negócio” (Jo 2.16, RA).


A forma como se administra pode transformar esse negócio chamado igreja numa igreja chamada “negócio”. Quando isso acontece, os valores eternos são substituídos por valores materiais e temporais. Os objetos de culto passam a ser meios para obter lucro. O foco, outrora no anseio de servir a Deus, passa a ser o ganho pessoal, o que certamente gerará destruição, desilusão e dor, afetando a comunidade.


O estilo de vida de quem decide viver do evangelho tem como base o contentamento, nem pouco nem muito, apenas o suficiente para uma vida digna. Quem deseja viver acima disso — o que é legal, moral e desejável — deve entrar no mercado de trabalho secular, ou seja, não eclesiástico, e ser negociante das coisas terrenas, onde o ganho é fonte de lucro, pois “a piedade não é fonte de lucro”.


Assim, precisamos ter em mente que pessoas e recursos eclesiásticos não pertencem aos pastores, pertencem a Deus. As pessoas são o maior patrimônio de uma igreja. Foi por elas que Jesus morreu, e é por meio delas que o evangelho alcançará o mundo. Sejamos zelosos, ajustemos o foco e façamos a obra do Senhor com motivações corretas e excelência. Que Deus nos abençoe!


¹Definição extraída de: Conceito de negócio <<https://conceito.de/negocio>>Acesso em 03/06/2020.


Publicado inicialmente em pastorwalterdamata.com.br, adaptado para Homens Mentores


Walter da Mata

Missionário Sepal e integrante do Ministério Homens Mentores, foi pastor por trinta anos da Assembleia de Deus Manancial – Sobradinho (DF).


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