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O que você não largaria por nada deste mundo?

Por Oscar Elias Jans



Salmo 16.1-6


Eis aqui um belo exemplo de um salmo individual de confiança. Salmos semelhantes a este são o 4, 11, 23, 27, 62, 131. Trata-se de um vibrante testemunho de fé.


Este Salmo tem duas divisões principais: 1-6 e 7-11. Na primeira parte, Davi declara sua entrega e compromisso com o Senhor. Na segunda parte, ele testemunha a fidelidade do Senhor para com sua vida. Trata-se de um vibrante testemunho de fé de alguém que encontrou no Senhor sua razão de viver, o que resulta em alegria, confiança e esperança.

O Salmo 16 expressa uma fé grata e alegre. O orador se dá conta e testemunha a riqueza das bênçãos que lhe são dadas, por meio do conhecimento e da comunhão com o Senhor.


Esta primeira parte nós a podemos entender com esta pergunta:


O que você não largaria por nada deste mundo?

Davi responderia. O que já recebi do Senhor. Não o que conquistou, mas o que recebeu. E, por isso, minha vida está bem definida. Ele testemunha:

1 – Onde encontra sua segurança

v.1: O salmo começa com esta petição, a rigor, a única petição do Salmo todo: Protege-me, o Deus. Cuida de mim. Demonstra uma maturidade na relação com Deus. Quantas vezes nossas orações estão carregadas de pedidos e reclamações. Mas para o autor do Salmo, não há muito o que pedir. Há muito mais para falar dos feitos de Deus, de sua relação com Ele. O restante é testemunho e expressão de confiança do salmista. Ele clama: Preserva-me, protege-me , pois confio em ti. A raiz hebraica deste “protege-me” tem a ideia de exercer grande poder sobre. Muitas vezes o termo é usado no sentido de guardar conforme a aliança. Sugere a imagem do guarda costas que protege o monarca ou do pastor que protege as ovelhas. Caim pergunta: Acaso sou eu guardador de meu irmão? O que ele não fez pelo irmão, Davi confia que o Senhor fará por ele, e nisto repousa sua segurança.

Quando diz, eu me refugio em ti, declara que tem no Senhor a sua rocha, sua fortaleza. Um lugar onde possa encontrar descanso, abrigo e segurança. Entretanto, esta pessoa não busca este cuidado de Deus para fugir do mundo, das pessoas, dos riscos. Quem se dá conta do modo de Deus agir e cuidar sabe que, enquanto continua a vida, trabalho, estudo, família, as mais diversas atividades, está sob o olhar cuidadoso e amoroso de Deus. Esta é a sua oração. Enquanto sigo, guarda-me Senhor, protege-me. Um belíssimo testemunho. A vida segue sob o olhar cuidadoso e amoroso de Deus. Como é para você?


2 – Onde coloca o seu coração. Ele diz: Não tenho outro além de ti!

v. 2: Eu tenho somente a ti, não há outro em quem confiar ou esperar.. Nos faz lembrar do início dos mandamentos: “Não terás outros deuses além de mim.”(Exodo 20.3). Declara sua devoção, de uma exclusividade de adoração que tem para com Deus. Remete-nos a tentação de Jesus no deserto, quando o diabo procura seduzir Jesus com a oferta: Olha para estas riquezas do mundo, olhe para esta glória das coisas, tudo isto te darei, se você se prostrar aqui e me adorar. E Jesus, demonstrando a mesma intenção do salmista firmemente diz: Nada do que você tem a oferecer me interessa, porque tenho ao próprio Pai. E não troco nada por esta comunhão com Ele. É nele que tenho minha segurança e só diante dEle eu me prostro. Deus não é apenas o seu bem mais precioso, como que numa hierarquia relacionada aos outros benefícios, mas seu único bem, a salvação por excelência, que inclui todo o resto, mas que também o relativiza. O Salmista, muito mais que dádivas, quer a presença, tem ao Senhor como seu bem e o que importa é relacionar-se com Ele.

3 – Relacionamentos construtivos. Grupo de apoio. Não isolamento.


v. 3: Agora o salmista volta sua lembrança para um grupo no qual ele tem todo o seu prazer, satisfação (heb. Hepetz). Ele olha para a terra e se dá conta que não está sozinho neste culto a Deus. Não se trata de um sentimento superficial, mas de uma satisfação com envolvimento físico e emocional. Viver junto dos santos, que tem uma vida consagrada a Deus. Envolvimento maravilhoso, edificante, não só com Deus, mas também com demais pessoas que vivem esta intensidade da adoração.

4 – Seu campo de missão. A sensibilidade para com os que sofrem!

v. 4: Olha para a dor que sofrem os que buscam socorro fora do Senhor. Mas não é um olhar de juízo, mas de compaixão. Enxerga as pessoas em seu sofrimento. Sofrimento é tradução do hebraico, a raiz atzab, que descreve tanto a dor física quanto a emocional. Descreve, por exemplo, as aflições de Adão e Eva e toda a criação como resultado da queda. E o mundo está ai para demonstrar a multiplicação das dores e do sofrimento. Há que se ter compaixão destas pessoas que correm atrás de outros deuses, que não o Senhor. Trata-se, segundo o que o verbo sugere, de uma busca, muitas vezes, irrefletida, talvez por causa do pouco conhecimento ou da situação desesperadora. Vão loucamente atrás daquilo que possa lhes dar satisfação, como um ativismo desenfreado, um consumismo descontrolado, um culto doentio ao corpo, enfim, mas nada disso lhes traz a paz. Não que ele segregue, despreze aquele que está fora do caminho. Antes, ele chora a sua condição. Sabe que resultará em sofrimento, por isso, demonstra ter conhecimento da situação e sofre junto com ela, a exemplo de Jesus, que tinha compaixão das ovelhas sem pastor. Tem muita gente que é bem realizada na vida, mas não fez esta curva, como se diz: Esquece-se dos que estão sofrendo, dos que ainda não conheceram este Deus que guarda, que é a única razão de viver, que forma um povo singular. Eis então que o que tem vida realizada, tem amor pelos que estão perdidos e desorientados, vê e sofre o seu sofrimento.

5 – Da herança. Satisfação total. Não como a propaganda que nos vê como um alvo consumidor, mas como um filho amado que recebe de Deus o melhor.

5-6: O ápice desta declaração de quem não troca este relação com Deus e com os seus por nada deste mundo. Ele declara: “Tu, Senhor, és a porção da minha herança.” Eu estou plenamente satisfeito, completamente realizado com isto, expressa o salmista. Ao contrário da angustia dos que não conhecem este relacionamento. Segundo estudiosos, a palavra quinhão (heb. Heleq) é muito significativa. Tinha a ver com os lotes de terra distribuídos para as famílias na terra prometida(Dt 10.9). Mas aponta para algo mais profundo: Receber a Deus como sua herança. O salmista reconhece o júbilo por ter a Deus. Em Deuteronômio 18.20, Deus diz para os sacerdotes: “Vocês não terão propriedades, porque eu sou a herança de vocês”. Se acolhermos esta palavra e condição, chegamos à maturidade da fé. Ainda que Deus possa me dar todas as coisas, só Ele pode ser a minha satisfação.


Em nossa cultura, pautada pelo hedonismo, percebemos que as pessoas direcionam sua vida na busca pelo prazer por si só, de forma egoísta, individualista e momentânea. O que importa é aquilo que te faz feliz, é um dos slogans. O que Davi está afirmando aqui, nas linhas deste Salmo, não é este seu propósito de vida. Ele testemunha algo maior, que é a alegria, a satisfação que resulta do encantamento pelo Senhor e seu agir gracioso para com ele. E ele expressa esta alegria que não se compara a qualquer uma, pois não é momentânea, ocasional, relacionada a alguma conquista ou boa noticia. Trata-se de um estado de maturidade, de satisfação pelo que encontrou no Senhor, que permanece, que se sustenta. Que não troca por nenhuma outra oferta deste mundo!

Como o apóstolo Paulo testemunha: “Aprendi a estar satisfeito (lit. ser autossuficiente) em todas as coisas.”(Fp 4.11b). Não por causa de uma força que tem em si mesmo, mas pela vida de Cristo que pulsa nele. Assim sendo, a relação do que teme a De quando na maturidade, visa a felicidade dos outros, mas nunca faria da sua própria felicidade um alvo. Esta seria resultado de uma vida desinteressada dedicada ao Reino.

Esta parte do Salmo nos remete a uma questão existencial séria? É possível realmente viver uma vida com alegria intensa e permanente? O que você me diz? Você encontra pessoas assim frequentemente? Homens e mulheres que têm um brilho nos olhos, uma expressão facial solene, um palavreado que brota do coração transbordando satisfação, gratidão, alegria. Queira Deus que você já esteja vivendo assim, encontrando no amor de Deus, no perdão dos pecados e reconciliação que nos traz Jesus, na presença graciosa do Espírito Santo esta satisfação e alegria. A pessoa que escreve este Salmo testemunha ser alguém assim. Encontrei o que procurava e, isto, não troco por nada. E, de fato, quem encontrou a pérola de maior valor, como contou Jesus na parábola, não anseia por nada maior, pois encontrou o tesouro. Este tesouro é o Reino de Deus, concretizado em Jesus. E, nós cristãos, sabemos que, quando Jesus vive em nós, podemos viver nesta perspectiva, nesta satisfação, neste contentamento que só o Evangelho traz. Você já conhece?


Duas perguntas para refletir e agir:

  1. O que as suas orações revelam sobre sua relação com Deus e com as pessoas?

  2. Seu estilo de vida, o que você busca, demonstra que você já encontrou a plena satisfação em Deus, em sua palavra, em Jesus?

Deus lhe abençoe. Continue caminhando com a Palavra. Continue com o Senhor.


Oscar Elias Jans

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