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“Precisamos de igrejas discipuladoras!”

Uma igreja que não faz do evangelizado um discípulo não gera movimento e se transforma num monumento

Por Fabrícia Oliveira


Confira alguns destaques sobre a segunda live da “Década de Fazer Discípulos”, projeto lançado pela Aliança Evangélica Mundial-WEA em parceria com a Aliança Evangélica do Brasil e Igrejas que Intencionalmente Fazem Discípulos (IIFD). No vídeo, Ilaene Schüler, líder dos Ministérios HM e MM, conversa com os pastores Elias Dantas, PhD em Estudo Intercultural e fundador do Global Kingdom Partnerships Network (GKPN), e L. Roberto Silvado, Doutor em Ministério pelo Southwestern Baptist Theological Seminary (EUA) e coordenador da Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba (PR).

Durante a live, os líderes compartilham reflexões sobre o tema “Igrejas discipuladoras no Brasil e no mundo”. A seguir, você confere um resumo do vídeo.


Aspectos essenciais do discipulado

Para refletir sobre o que é essencial no discipulado cristão dos nossos dias, primeiro precisamos ter claro o fundamento básico: O discipulador precisa ser um discípulo que está sendo constantemente discipulado por alguém mais experiente.

Com isso, é preciso que Cristo seja continuamente formado no discipulador, para que ele forme Cristo na vida dos outros. Na conversa com Pedro, em João 21, Jesus não diz primeiramente “apascenta as minhas ovelhas”. Antes disso, Ele pergunta a Pedro: “você me ama?”, pois, aquele que ama “cuida das ovelhas”, ou seja, faz. A devoção vem antes da produção. Deus trabalha em nós para operar através de nossa vida. Ele forma Cristo em nós para que possamos formar Cristo em nossos irmãos.


Nesse sentido, o discipulador deve checar a motivação que o impulsiona ao discipulado, a qual deve ser pautada pelo desejo de dar glória a Deus, de ser aprovado por Ele e pela coragem para testemunhar. Em 2Tm 2.15, Paulo instrui Timóteo a se apresentar a Deus como obreiro aprovado. Assim, começa dizendo “procura”. Essa palavra, no original grego, significa “fazer o nosso melhor”. No trecho, vemos um discipulador falando a um discípulo, uma conversa de discipulado. Timóteo, como discipulador, não deve ter dúvida de que fez o melhor em seu trabalho para o Senhor.


No processo do discipulado, permitimos que a vida de um Deus santo, que nos chama para a santidade, no torne discipuladores santos que fomentam santidade na vida dos discípulos.

Ao falarmos de discipulado, falamos de coisas simples que são essenciais e básicas na vida daquele que se dispõe a seguir Jesus, como a convivência familiar. É exatamente nessas pequenas atitudes que enfrentamos dificuldades. Nossas ações diárias refletirão nas pessoas que discipulamos. A transformação ocorrida na vida do discipulador será manifesta naturalmente na vida do discípulo, já que, nesse ministério, somos modelo de conduta.

A transformação ocorrida na vida do discipulador será manifesta naturalmente na vida do discípulo, já que, nesse ministério, somos modelo de conduta.” L. Roberto Silvado

Como discipulador, a autoridade de Paulo era sua própria vida. O apóstolo chama os presbíteros de Éfeso para conversar com ele em Mileto, e começa dizendo: “Vós bem sabeis como foi que me comportei entre vós durante todo o tempo em que vivi convosco” (At 20.18). Todos os presbíteros na igreja de Éfeso eram filhos na fé. A conversa entre eles não foi uma aula de teologia bíblica ou sistemática, foi uma conversa de discipulador com discípulos. Movimentos de discipulado e criatividade na igreja


No mundo, há sete milhões de paróquias cristãs, ou seja, prédios e igrejas locais evangélicas e católicas, não contabilizando os pequenos grupos e células. Desses 7 milhões, um milhão de igrejas estão crescendo e 4 milhões estão estagnadas.


As igrejas que não crescem não são ruins, pelo contrário, são boas igrejas, mas viraram monumentos porque perderam a capacidade de movimento. Os demais 2 milhões estão diminuindo, tendo como a principal razão o fato de terem perdido a fé, negando as Escrituras Sagradas e a centralidade do Evangelho de Cristo. Nesse contexto, a chamada da Aliança Evangélica Mundial para a “Década de Fazer Discípulos” é muito pertinente, porque o cristianismo cresce 2% ao ano no mundo.


O nosso desafio é dar suporte às igrejas que, embora sejam formadas por pessoas que creem, foram ficando idosas, antigas e não crescem. Uma igreja que não evangeliza, fossiliza. E, conforme elucidado anteriormente, uma igreja que crê, mas não faz do evangelizado um discípulo, não gera movimento, e se transforma num mero monumento.

“Uma igreja que crê, mas não faz do evangelizado um discípulo, não gera movimento, e se transforma num mero monumento.” Elias Dantas

Essa realidade nos leva a visualizar dois tipos de igrejas exemplificadas no Novo Testamento: a igreja de Corinto, cujo foco estava nela mesma, e a igreja de Éfeso, onde existia um movimento de discipulado para aprimoramento do povo, um modelo dinâmico em que os cristãos combatiam o “bom combate” fora da igreja, não dentro.


A igreja de Corinto não lutava o bom combate de Cristo fora dela, mas internamente. O resultado é que tinha pelo menos 24 conflitos e problemas, todos registrados somente na carta de 1Coríntios. Se incluirmos 2Coríntios, esse número aumenta um pouco mais. No entender de seus membros, a comunidade gerava discípulos, mas eram muito mais prosélitos do que convertidos. Com isso, o seu crescimento se atrofiava. É nessas circunstâncias que Paulo precisa dizer que aqueles cristãos eram crianças na fé.

Outro modelo é a igreja de Éfeso: comunidade que gerava discípulos e tinha os seus dons espirituais para aprimoramento do povo. O modelo da igreja de Éfeso é dinâmico, no qual Deus capacita pessoas que capacitarão outras pessoas. Essas, por sua vez, irão capacitar outras pessoas, assim sucessivamente (Ef 4.11). É o mesmo padrão que Paulo diz em 2Timóteo 2.2, que exemplifica a dinâmica do discipulado: “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros”.

Discipulado: essencial para a vida cristã

Discipulado não é opcional, e um dos grandes desafios de nossos dias é mudar o pensamento de que se trata apenas de um estudo bíblico antes do batismo, um programa rápido e básico. O discipulado bíblico é processual e existencial para o cristão. Temos muitos materiais e atividades, mas a transformação que essa caminhada propõe é mais do que cognitiva. Ser discípulo e fazer discípulos é compartilhar vida. É nessa dinâmica que precisamos ser multiplicadores e vislumbrar gerações de discípulos como resultado de termos servido a Deus.

Embora o crescimento numérico do cristianismo no Brasil tenha sido uma benção, é necessário que os cristãos aprofundem a comunhão com Deus e despertem outros para também fazê-lo. Temos de gerar um movimento que vá além da evangelização inicial. É fundamental formar convertidos que irão discipular outros, desenvolver relacionamentos discipuladores, para que a mensagem de Cristo seja propagada.

Não é fácil fazer uma mudança, sair de onde está e gerar movimento, por isso é importante conhecer diferentes propostas e ter alguém que caminhe junto em meio às mudanças. No Brasil, há uma grande perspectiva de crescimento através dos pequenos grupos, porém o valor do discipulado ainda não está sendo vivido. Daí a necessidade de um segundo estágio, que seria a intencionalidade do discipulado.

Todos nós precisamos de três grupos na vida: o grupo de pertencimento, que é a célula, no qual somos motivados a ser Cristo para os outros; o grupo de vocação, que são os ministérios, onde somos chamados para uma missão particular; e, por último, o grupo de celebração, que tem valor psicológico e mostra a expansão do evangelho. Uma boa igreja discipuladora tem esses três tipos de atividades.

Nosso grande privilégio

É um grande desafio ter esse privilégio que Deus nos deu de continuar o que Jesus começou. Deus poderia ter dado essa tarefa para os anjos, e eles teriam gostado, mas o privilégio é daqueles que são servos. E que obra é essa que Jesus deixou para cada cristão fazer?

Certamente não é a obra da salvação, porque já está consumada e não há nada que possamos fazer. Jesus nos comissiona a continuar a obra de fazer discípulos, a qual Ele mesmo começou.

Deus nos deu o privilégio de continuar o livro de Atos: o de “escrever o capítulo 29”!. E, nesse capítulo, “há um parágrafo que deve ser escrito por cada cristão”. Diante disso, surge a pergunta: o que estamos escrevendo nesse parágrafo? Este é o momento, como igreja brasileira, de nos envolvermos no processo discipular que integra o evangelismo e o discipulado de quem já conhece a Cristo.


Discipulado radical

Durante a live, também falou-se sobre o livro Discipulado radical, escrito por Edmund Chan, fundador do movimento IIFD. A publicação, além de ser um material excelente para o leitor cristão, é um instrumento para a geração de recursos, já que as vendas serão revertidas para a reconstrução de casas de cristãos que vivem em países com perseguição religiosa intensa (Síria, Iraque, Líbano e Egito).


Gostou?

No vídeo tem muito mais! Acesse o link já e confira a live na íntegra.


Fique de olho!

No dia 13 de maio haverá bate-papo ao vivo com David Kornfield. Não perca!


Conheça!

Livro Discipulado Radical, escrito por Edmund Chan, à venda no e-commerce da Sepal.

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Texto publicado originalmente no site Mulheres Mentoras


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